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Déficit de engenheiros no Brasil ameaça desenvolvimento?
Por PORTAL MEGAVAREJO
Publicado em 13/04/2026 06:37
Infraestrutura & Logística
Acervo FGR

O Brasil enfrenta um déficit preocupante de engenheiros, que pode comprometer o crescimento econômico e a inovação em setores estratégicos do país. A escassez de profissionais qualificados é agravada por desafios na formação e baixa produtividade em comparação internacional.

Atualmente, o país forma cerca de 50 mil engenheiros por ano, número que vem caindo nos últimos anos. Em 2018, foram formados aproximadamente 128 mil, mas a queda acentuada preocupa especialistas. Estima-se que o Brasil tenha um déficit de 75 a 76 mil engenheiros, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A proporção de engenheiros no Brasil é de apenas seis para cada mil habitantes, muito inferior a países como Japão e Estados Unidos, que possuem cerca de 25 profissionais por mil habitantes. Até mesmo a Índia, considerada em desenvolvimento, tem uma proporção maior, com 15 engenheiros para cada mil pessoas.

O mercado, no entanto, demonstra demanda crescente, especialmente em setores como infraestrutura, construção civil, energia e indústria de produção. Rafael Carlos Gonçalves, coordenador de Recursos Humanos da FGR Incorporadora, afirma que "há uma demanda crescente por profissionais que consigam atuar com visão sistêmica, capacidade de gestão e tomada de decisão em ambientes dinâmicos".

Os salários variam conforme a área de atuação. Engenharia de Computação lidera com média salarial acima de R$ 13 mil, seguida por Engenharia Elétrica, com cerca de R$ 9.673. Já Engenharia Mecânica e Ambiental apresentam médias entre R$ 5.451 e R$ 8.272, dependendo da experiência e região.

A formação dos engenheiros no Brasil é oferecida por cerca de 258 cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), distribuídos entre instituições públicas e privadas. A maior parte dos cursos está concentrada em instituições privadas, especialmente na modalidade a distância.

Apesar da quantidade de cursos, a qualidade da formação em ciências exatas preocupa. A má base em matemática e física desde o ensino fundamental desestimula muitos estudantes a escolherem a engenharia. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva para o CIEE revelou que apenas 12% dos alunos do ensino médio pensam em cursar engenharia.

Além disso, a produtividade dos engenheiros brasileiros é considerada baixa em comparação com países desenvolvidos como Coreia do Sul, Taiwan e Estados Unidos. Fatores como infraestrutura, inovação e ambiente de trabalho influenciam esse desempenho.

O perfil do engenheiro também está mudando. A nova geração busca propósito, equilíbrio e desenvolvimento acelerado, o que traz desafios para as empresas na retenção e maturação desses profissionais. "Isso gera um desafio adicional para as empresas no que diz respeito à retenção de talentos", destaca Gonçalves.

Pablo Vinícius Vaz Arriel, engenheiro trainee na FGR, ressalta que a profissão vai além dos cálculos matemáticos. "O engenheiro precisa ter uma visão holística das obras, saber se comunicar, gerir pessoas e recursos materiais", afirma.

A escassez de engenheiros qualificados pode impactar diretamente a capacidade do Brasil de avançar em projetos estratégicos e na competitividade global. Investir na educação e na valorização da carreira é fundamental para reverter esse quadro. (Com informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Instituto Locomotiva, Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), FGR Incorporadora)

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